top of page
qual-e-a-historia-do-xadrez-9.jpg

História
e Jogadores

Evolução Histórica

Evolução Histórica

O primeiro torneio moderno de enxadrismo ocorreu em Londres em 1851. O campeão foi o alemão Adolf Anderssen, relativamente desconhecido à época, sendo aclamado como o melhor enxadrista do mundo. O estilo de jogo dessa época é o chamado romântico, em que os jogadores saíam à caça do rei adversário através de ataques diretos, muitas vezes entregando material (peças e peões) para abrir linhas de ataque e atrasar a defesa adversária. Anderssen foi um mestre do xadrez romântico, realizando muitas combinações brilhantes com ataques de mate.[31] Seu estilo enérgico e brilhante tornou-o muito popular e suas partidas repletas de sacrifícios, tais como a Imortal ou a Sempreviva, foram consideradas como as mais altas realizações da arte enxadrística. A Imortal é citada por alguns autores como a mais famosa partida da história do enxadrismo.[32]

Uma visão mais profunda sobre a estratégia enxadrística veio com dois jovens enxadristas: Paul Morphy e Wilhelm Steinitz.

O norte-americano Morphy, um extraordinário prodígio, venceu todos seus oponentes – incluindo o próprio Anderssen, a quem derrotou em uma série de partidas quando realizou um giro pela Europa. Sua curta carreira se deu entre os anos de 1857 e 1863 e, depois de uma segunda viagem vitoriosa à Europa, Morphy retornou a Nova Orleans, sua cidade natal, e abandonou por completo o xadrez.[33] O sucesso de Morphy originou-se de uma combinação de ataque fulminante e profunda estratégia.[34] O que o diferenciava dos demais mestres românticos era uma apurada noção de tempo e uma habilidade ímpar para jogar posições abertas, baseando seus ataques no cálculo exato dos lances futuros.[35]

A concepção estratégica do xadrez foi mais tarde reinventada pelo mestre e teórico austríaco Wilhelm Steinitz. No início de sua carreira, Steinitz também jogava no estilo romântico, mas aos poucos desenvolveu um novo entendimento, chamado posicional. Segundo ele, um ataque prematuro não terá sucesso se não for baseado em fraquezas na posição adversária. Em vez de partir para a agressão frontal, Steinitz procurava estabelecer superioridade no centro do tabuleiro e daí se impor ao adversário. A proposta teve pouca aceitação no início, mas o sucesso do próprio Steinitz mostrou que o jogo posicional superava o estilo romântico, expondo as fraquezas que os jogadores criavam ao tentar o ataque a todo custo.[36]

Steinitz iniciou uma outra importante tradição: após o seu triunfo sobre o proeminente mestre alemão Johannes Zukertort, em 1886, foi considerado como o primeiro campeão mundial de xadrez.[37] Ele defendeu seu título com sucesso por duas vezes contra outro importante mestre da época, o russo Mikhail Tchigorin, considerado o precursor da escola russa.[38] Steinitz veio perder a coroa somente em 1894 para um jovem filósofo e matemático alemão, Emanuel Lasker, que manteve o seu título por 27 anos, a mais longa permanência como campeão do mundo de todos os tempos. É preciso lembrar que, nessa época, o campeonato mundial não era regulado por uma federação nem havia regras definidas para sua disputa. O campeão aceitava ou não um desafio, normalmente exigindo que o desafiante providenciasse a bolsa de prêmios e as condições de jogo. Lasker beneficiou-se dessa circunstância porque, embora tenha colocado o título várias vezes em disputa, evitou os adversários mais perigosos: o também alemão Siegbert Tarrasch, que teve sua melhor fase na virada do século, e o polonês Akiba Rubinstein.[39]

Lasker foi o primeiro enxadrista a utilizar métodos psicológicos contra seus adversários.[40] Seu estilo era pouco compreendido na época e ainda hoje suscita discussões. Ele nem sempre fazia o lance mais forte disponível na posição: procurava jogar da maneira mais incômoda ao adversário e em várias ocasiões jogou de forma provocativa, atraindo o oponente para um ataque precipitado ou uma formação com pontos fracos. Lasker foi um mestre do contra-ataque e fez uso brilhante dessa habilidade para se impor aos adversários.[41]

Mas foi o prodígio cubano, o diplomata José Raúl Capablanca, campeão do mundo no período compreendido entre 1921 e 1927, que colocou um fim no reinado germânico do mundo do xadrez.[42] Capablanca amava posições simples e os finais de jogo; permaneceu imbatível nos torneios por oito anos até 1924.[43] Capablanca é considerado nos dias atuais como o maior talento natural da história do enxadrismo e o maior enxadrista hispânico de todos os tempos.[44] Seu sucessor foi Alexander Alekhine, um forte atacante, que faleceu como campeão do mundo em 1946, tendo perdido seu título por um breve período de tempo para o enxadrista holandês Max Euwe em 1935, conquistando-o novamente dois anos depois.[45]

No período compreendido entre as duas grandes guerras mundiais, a teoria enxadrística foi revolucionada por uma nova escola de pensamento conhecida como Hipermodernismo,[46] liderada por Aaron Nimzowitsch[47] e Richard Réti.[48] Eles negavam a validade absoluta dos princípios da escola posicional que tinha sido estabelecida por Steinitz e Tarrasch. Os hipermodernistas defendiam o controle à distância do centro do tabuleiro por meio de peças, em lugar de ocupar as casas centrais com peões, convidando os adversários a ocupar o centro com seus peões que logo se tornariam alvos de ataque.[49]

Desde o final do século XIX, o número de torneios e matches entre mestres vem rapidamente crescendo. Em 1914, o título de grande mestre foi pela primeira vez conferido oficialmente pelo czar russo Nicolau II aos cinco finalistas do torneio de São Petersburgo: Capablanca, Lasker, Alekhine, Tarrasch e Marshall. Esta tradição continua sendo seguida pela FIDE, fundada em 1924, até os dias de hoje.

Após a morte de Alekhine, o novo campeão do mundo foi selecionado em um torneio de enxadristas de elite, organizado pela FIDE que, desde então, vem conferindo o título. O vencedor do torneio de 1948, o soviético Mikhail Botvinnik,[50] iniciou um era de hegemonia soviética no mundo do xadrez. Até a dissolução da União Soviética, houve somente um campeão do mundo não soviético, o norte-americano Robert Fischer.[51]

No sistema informal que era adotado anteriormente, o campeão do mundo tinha o direito de decidir com qual desafiante disputaria o título mundial, ficando a cargo do desafiante a busca por patrocinadores para o match. A FIDE veio então a estabelecer um novo e moderno sistema de torneios de classificação e matches que substituía este sistema arcaico. Os melhores enxadristas do mundo passaram a ser selecionados primeiramente nos Torneios Zonais, sendo seguidos pelos Torneios Interzonais. Os melhores finalistas dos Torneios Interzonais participam do Torneio de Candidatos que, por sua vez, definirá quem será o desafiante que poderá então disputar a coroa com o campeão do mundo. Um campeão derrotado neste match final tinha o direito de jogar um rematch no ano seguinte. O sistema funcionava em um ciclo de três anos.

Botvinnik venceu o campeonato mundial em 1948 e reteve a coroa nos anos de 1951 e 1954.[52] Em 1957, a perdeu para Vasily Smyslov, mas recuperou o título pelo rematch em 1958. Em 1960, ele perdeu novamente para Mikhail Tal. Botvinnik recuperou o título novamente em 1961.

Entretanto, a partir de 1961, a FIDE aboliu a cláusula do rematch, e o campeão seguinte, Tigran Petrosian, um gênio da defesa e um fortíssimo jogador posicional, manteve a coroa no período de 1963 a 1969. Seu sucessor, Boris Spassky, foi campeão do mundo entre os anos de 1969 e 1972, sendo um formidável enxadrista tanto no jogo posicional quanto em agudas situações táticas.[53]

O campeonato seguinte, disputado entre Spassky e o jovem norte-americano Robert Fischer, foi aclamado como o Match do Século.[54] O match foi vencido por Fischer que, em 1975, se recusou a defendê-lo contra o soviético Anatoly Karpov.[55] A FIDE concedeu o título a Karpov que o defendeu duas vezes contra Viktor Korchnoi e dominou o mundo do xadrez nas décadas de 1970 e 1980 com uma longa série de vitórias.

A supremacia de Karpov terminou em 1985 pelas mãos de um outro enxadrista soviético, Garry Kasparov.[56] Kasparov e Karpov disputaram ainda o título mundial cinco vezes entre os anos de 1984 e 1990.

Em 1993, Kasparov e Nigel Short romperam com a FIDE e organizaram o seu próprio match pelo título mundial, fundando a Professional Chess Association.[57] Como consequência naquele período passaram a existir dois campeões mundiais, representando entidades distintas, a FIDE e a PCA.[58] Logo depois do campeonato de 1995 a PCA faliu, e Kasparov não tinha nenhuma organização de onde escolher seu desafiante. Em 1998, ele então fundou o Conselho Mundial de Xadrez e organizou o Campeonato Mundial de Xadrez Clássico. Uma reunificação dos títulos somente veio a ocorrer em 2006, quando o russo Vladimir Kramnik derrotou o campeão FIDE Veselin Topalov e tornou-se o campeão do mundo das duas coroas.

Em 2007, o título mundial pela FIDE foi conquistado pelo indiano Vishy Anand durante o evento denominado Campeonato Mundial de Ajedrez México 2007, onde Kramnik foi um dos finalistas.

Em 2008, Anand confirmou o título mundial de xadrez durante o match em Bonn, realizado nos dias 26 de outubro a 1 de novembro.[59] O resultado do match foi definido no dia 29, com o empate de Kramnik e Anand, com ampla vantagem do indiano (6,5 a 4,5), tornando desnecessária a 12ª. partida do match.

Com esta vitória, Anand também se torna o primeiro campeão de xadrez nas três modalidades: knockout, torneio, e match.[60]

Anand voltou a confirmar o título mundial contra Boris Gelfand em 2012 (8,5 a 7,5),[61] mas o perdeu em 2013 para o norueguês Magnus Carlsen por 6,5 a 3,5.[12] Carlsen conquistou o título quatro anos após assumir o topo do ranking da FIDE,[62] e no mesmo ano em que bateu o record de maior rating Elo da história (antes pertencente a Kasparov), com 2872 pontos.[63] Em novembro de 2014, Carlsen confirma o título ao derrotar,[64] em Sochi, na Rússia, o ex-campeão Anand. Carlsen confirmou ainda o título em 2016 contra o russo Sergei Karjakin [65] e em 2018 contra o norte-americano Fabiano Caruana,[66] em ambas ocasiões por desempates em partidas rápidas após empate de 6 a 6 pontos em 12 partidas clássicas.

De acordo com Rob Edwards[67] e Jeff Sonas[68] há um efeito inflacionário no rating de Xadrez ao longo dos anos, fazendo com que a comparação entre jogadores de épocas diferentes, para que seja justa, precisa promover alguns ajustes para descontar a inflação. Quando se faz tais ajustes, verifica-se que o jogador com pico de rating mais alto na história (entre 1850 e 2004) foi Bobby Fischer, com 2895.[69]

Os melhores enxadristas do mundo são agraciados com títulos vitalícios pela FIDE:[117]

  • Grande Mestre (GM) é conferido aos mestres de xadrez de nível internacional. Com exceção do título de Campeão Mundial, o Grande Mestre é o mais alto título que um enxadrista pode alcançar em vida. Para obter este título, o candidato uma pontuação FIDE (ELO) de pelo menos 2 500 pontos e três resultados favoráveis, denominados normas, em torneios envolvendo outros Grandes Mestres, incluindo torneios internacionais. Entretanto, há outras formas de se obter o título, como vencer o Campeonato Mundial de Xadrez Juvenil;

  • Mestre Internacional (MI), as condições são similares ao de GM, porém com uma pontuação menor, sendo este de 2 400 pontos;

  • Mestre FIDE (MF) com a pontuação FIDE mínimo de 2 300 pontos;

  • Candidato a Mestre (CM) com pontuação FIDE mínimo de 2 200 pontos;

  • Mestre Nacional (MN) é conferido por algumas federações nacionais, como a Confederação Brasileira de Xadrez, a enxadristas com a pontuação FIDE mínimo de 2 200 pontos.

Classificação
campeões de xadrez.jpg

Jogadores por Peak

Melhores jogadores por período de prevalência mundial.

Melhores, pelo seu auge.jpg

Jogadores por Rate

Melhores jogadores por Rating elo.

Rating  ed.png
paul morphu.jpg

Paul Morphy

A maioria dos aspirantes a jogadores de xadrez estuda os jogos de Paul Morphy muito cedo, e por um bom motivo: eles são espetaculares. Morphy não apenas derrotou seus oponentes, ele criou poesia no tabuleiro de xadrez, arrojando os jogadores com seu jogo ofensivo e incontáveis ​​sacrifícios de peças.

É verdade que Morphy também recebeu um pouco de ajuda de seus oponentes. Naquela época, o xadrez ainda estava em seu período romântico. Na verdade, Morphy pode ser considerado o primeiro jogador moderno - embora ele preferisse posições abertas e afiadas, ele parecia capaz de jogar qualquer tipo de jogo e teve sucesso contra todos os estilos que rebateu. Este é o principal argumento contra o desafio de Morphy: não havia oposição real a ele, o xadrez não estava realmente estabelecido na época. Os jogos de Morphy, embora espetaculares e muito à frente de seu tempo, ainda eram falhos para os padrões de hoje. Mas se julgarmos pelos padrões de seu dia, quase não há competição.

Quando tinha 20 anos, o americano já havia ultrapassado todos em seu país por uma milha. Ele viajou para a Europa em busca de oposição mais forte. Ele o encontrou, mas também o esmagou. No Café de la Régence em Paris, o centro do xadrez na França, Morphy derrotou o profissional de xadrez residente Daniel Harrwitz. Quando ainda tinha 21 anos, Morphy derrotou o mestre alemão Adolf Anderssen, considerado por muitos o melhor jogador da Europa, por 7-2 (com 2 empates) - mesmo com Morphy sofrendo de uma grave crise de gastroenterite durante a qual perdeu tantas sangue que ele não conseguia suportar sem ajuda.

Morphy derrotou quase todos que encontrou, dando inúmeras exibições simultâneas (incluindo exibições de olhos vendados, onde ele derrotaria vários oponentes ao mesmo tempo, muitas vezes jogando com handicap).

Morphy recusou-se a jogar xadrez por dinheiro e, depois de vencer qualquer forma de oposição, desistiu do xadrez, em parte porque não havia mais ninguém para desafiá-lo. Ele teria declarado que não jogaria mais partidas sem dar chances ao oponente. Apesar de ser amplamente (e não oficialmente) aclamado como o Campeão do Mundo, Morphy retirou-se do xadrez e resistiu às tentativas de colocá-lo de volta no jogo. Muitos dos melhores jogadores subsequentes do mundo (incluindo alguns nesta lista) iriam chamá-lo como uma inspiração e um dos melhores - se não o melhor jogador da história.

O Começo

O xadrez mudou nas décadas seguintes depois que Morphy se aposentou. Os primeiros campeonatos mundiais oficiais marcaram o fim do verdadeiro período romântico e trouxeram uma nova onda de enxadristas, mais analíticos e minuciosos. O segundo campeão mundial foi Emmanuel Lasker, que foi campeão mundial de xadrez por 27 anos, de 1894 a 1921, o mais longo reinado de qualquer campeão mundial de xadrez oficialmente reconhecido na história.

Lasker era dominante. Ele não era apenas um excelente atacante, mas tinha um conhecimento profundo da teoria do xadrez e muitas vezes salvou posições aparentemente perdidas, o que consolidou sua posição como líder de seu tempo.

Seus contemporâneos acreditavam que Lasker usava uma abordagem psicológica e fazia movimentos estranhos para confundir seus oponentes. No entanto, análises mais recentes sugerem que ele estava tão à frente de seu tempo que apenas confundiu aqueles contra os quais jogou. Seu método era tão único na época que seus vários livros publicados tiveram pouco sucesso porque poucos foram capazes de tirar lições deles.

Lasker também foi um excelente jogador de bridge e matemático. Ele publicou vários artigos notáveis ​​e é conhecido na matemática por suas contribuições para a álgebra comutativa, que incluiu a prova da decomposição primária dos ideais de anéis polinomiais.

bottom of page